Se não faltarem ao combinado vou ter um fim de semana jeitoso.
Cláudia, Cláudia, tu ainda não viste tudo. Ainda tens muito para ver minha querida. Não penses que as pessoas têm o mesmo carácter que o teu ou que devem agir consoante a tua forma de ver a vida. Não podes exigir que sejam justos como tu, nem que sigam valores. Lembra-te, também já erraste no passado. Eu sei que aprendeste com os erros mas não podes exigir que os outros queiram aprender. Vá Cláudia, interessa é que continues a seguir os teus princípios, as más acções ficam para quem as pratica.
Não sou aquela que vai ao Facebook ver fotos dos outros aos abraços e depois questionar, "então mas agora aqueles são amigos?". Não sou aquela que se enche de falta de tempo para ver foto a foto em busca de provas de mau caráter. Simplesmente não há. Mau caráter tem aquele que vai ao Facebook em buscar das ultimas novidades, as mais frescas, as mais quentes e depois revela em voz de serpente, "sssssssabiasssss que a coisssssa voltou com o namorado??", "sssssabiassssss que o outro vai ao bar ssssssssimpático lá da terra beber ssssssssangria?". Bhack, detesto cobras. A vida não se adivinha pelas fotos do Facebook, as fotos do Facebook são a maior ilusão de felicidade existente, tá?
Quando ligares para uma linha de atendimento não vais ser mal educado nem dizer que "vou partir essa merda toda", nem chamar nomes aos funcionários. Vais falar calmamente e identificar-te de forma percetível. Vais lembrar-te que a tua mãe te deu educação e dizer "bom dia" e sorrir. Quê?! Não sabes o que é sorrir? Oh filho, é mostrar os restos de comida que te esqueceste de tirar ontem à noite. Vá, é sorrir e reclamar sempre num tom baixo, de preferência com uma música do Bob de fundo enquanto abanas a cabeça ou o rabiosque. Também podes gritar para dentro, é menos doloroso para quem atende os telefones. Sério, costumo gritar para dentro quando quero dizer uma asneira e não posso, ou quero chamar nomes a alguém e não posso. É como pensar mas aos gritos. Se nenhum destes conselhos ajudar-te a ser mais simpático com as pessoas que atendem telefones ou ao balcão não posso fazer mais nada, és um ser desprezível e mereces ir descascar nozes com as unhas.
Há um ano atrás, mais coisa menos coisa, ouvi um conselho. Esse conselho não era dirigido à minha pessoa, mas a alguém que sofria por uma relação de merda qualquer. O típico, sofremos sempre com relações de merda. Este texto é sobre esse conselho. Foi algo do género, "primeiro tens de te sentir bem em casa, no teu espaço, para começares a sentir-te bem contigo mesmo e superares essa situação...". Achei este conselho talvez o melhor conselho que se pode dar a alguém que está a sofrer por amor, ou a tentar superar uma situação complicada. Na verdade ninguém liga muito a isto mas deviam. O teu espaço, a tua casa é a base de tudo o resto. Umas mudanças aqui e ali para encontrar o conforto é meio caminho andando para encontrar a paz interior. Uma pessoa precisa de um espaço para relaxar, como um refúgio. Um lugar onde podes ver um filme, ler um livro, navegar na internet, descansar, reflectir, escrever, recordar.
Neste momento tenho um espaço onde sinto que é o meu espaço, o meu espaço preferido. Não troco a minha casa pela casa de mais ninguém. É aqui que me sinto bem. O único problemazinho é que não dá vontade de sair daqui. É tão bom. E está tanto frio.
Adorei a primeira temporada do Downton Abbey. É daquelas séries que só dá vontade de ver e ver. Gosto imenso daquele moço novo que dá um murro no empregado mau. Não sou boa com nomes, sorry. Ele é tão querido. Também gosto imenso do coxo e às vezes choro por ele. Só espero que a empregada boazinha fique com ele. Não gosto da irmã mais velha, mas adoro a irmã morena bonita. Odeio aquela empregada que deixou o sabonete ao lado da banheira e pumba. A série está o máximo. Adorei a referência ao aparecimento da electricidade e do telefone. Adoro as roupas e aquelas paisagens. Fabuloso. Já disse que adorava ler um livro debaixo daquela arvore? Desejo que a segunda temporada não venha estragar tudo, só isso. É ver, gente. E deixem-se de arrogância que vos fica mal.
Podia esperar por ti sentada, com um livro entendido nos braços procurando a felicidade nas pequenas letras da história. Não consigo fugir do tempo, nem ele de mim. Quero deixar de me sentar no chão gelado em dias como este e procurar por nós em azulejos. Vejo-te numa nuvem de fumo expulsa da minha boca com cuidado. Gosto de fumar com cuidado para sobreviver na calma que consigo sentir no momento. Espero calada por frases que não chegam de forma alguma, nem em silêncio. Nem em gritos. Nada. Desejo profundamente que páres com isso de estares bem todos os dias, para saber quando estás mal, e por sua vez, estarei a mais.
Imagina só, fazes comida com o melhor cheiro do Mundo. Guardas para o dia seguinte. Não dá jeito chegar a casa e não ter o almoço feito. Vais comer Nestum enquanto pensas no almoço de amanhã. Vais ajeitar a coberta do sofá, alguém entra pela janela da cozinha e começa a rapar o tacho com a tal comida do cheiro bom. Imagina só, a desilusão estampada no rosto. No teu, claro.
Não me aproveitaste e eu sou uma mulher tão querida, tão fofa, tão tão. Tenho um ar tão querido quando acordo e dou beijinhos de bom dia. Esperava por ti, todos os dias, todas as noites, se fosse preciso. Sou tão mulher, tu perdeste-te na infantilidade. Na parvoíce de não pensares no amor. O amor não tinha tão forte significado, depois teve. Cuidava de ti por te amar, tanto, mais a ti. percebi ao longo dos dias que tu querias amar-te, amar-te através de mim. Esqueci-me, fui esquecendo. Fui acabando comigo pensando que tu serias a minha ultima oportunidade. A minha ultima oportunidade, tem graça. Logo eu, que tenho graça. Que caio em graça. Que também sou engraçada. Esforcei-me para te agradar, nada saía como eu queria. O esforço não é natural. Apagou-se comigo. Perdeste-me quando eu quis deixar de ser um objecto e passar a ser aquilo que sou hoje. Deixei de me esforçar para conseguires cumprir a tua parte. E sem a minha ajuda as tuas palavras passaram a valer zero. E de um final, passaste a um começo.
Amanhã faço anos. 27 anos. Preciso de tempo, de muito tempo para ter vontade. Para chegar ao alto da estrela para contar as histórias da minha vida. Tempo, quero tempo de vida. Para deixar de medos e inseguranças. Desenhar uma estrada presa em imaginação tornando-a real. Minha, só minha. Dá-me tempo de alegria, poupa-me aos choros que são inevitáveis. Pega-me ao colo e dá-me tempo de afecto que se foi perdendo entre mãos e empurrões. Não me deixes cair no escuro novamente, não me deixes ter saudades do passado desenfreado, onde a loucura me punha doida. Dá-me tempo para crescer e ficar com rugas. Tenho planos, sabes? Estou decidida a escrever novos sonhos. Dá-me papel e caneta. Preciso de tempo, só mais um dia, todos os dias.
Não vamos esquecer que são portugueses a trabalhar no Pingo Doce. As mesmas pessoas que cantam efusivamente de Janeiro a Janeiro com o sorriso branco neve. Para além dos produtos portugueses que estão à nossa espera. A maçã e a batata, por exemplo. Não vamos deixar de ir ao Pingo Doce buscar fruta e legumes só porque o senhor Pingão decide ir para Holanda. O senhor é bem mandado. Não foi o primeiro ministro que pediu para o pessoal emigrar? Foi. O Pingão é boa pessoa e decidiu fazer a vontade. Pessoalmente, compreendo mas deixa-me triste. Afinal aquela coisa do "todos unidos por uma causa" só funciona no Natal e precisa de ter uma hipopótama gorda seminua a dançar para motivar o contributo.
Mais do que às prendas, dou mais importância à família. É verdade, gosto imenso de receber prendas mas este foi um ano de transformação e dei por mim a querer surpreender as minhas pessoas queridas e fofas do que propriamente pensar no que ia ou não receber. Queria uma ou duas coisas mas o que viesse seria bem vindo. Adorei o meu Natal. Por tudo. Foi especial e diferente de todos os outros anos. Mascarei-me de Pai Natal e consegui enganar a minha sobrinha. Quando despi o fato e fingi entrar em casa pela primeira vez a Eva saiu-se com esta, "Oh tia, teve cá o Natal". Mais tarde quando descobriu os óculos esquecidos do Pai Natal, "O Natal vai voltar, deixou os óculos...". Foi lindo.
Ângela. Nome este que jamais darei a uma filha, a uma cadela ou a uma tartaruga. Nome este que será riscado do meu dicionário. Se um dia alguém me apresentar uma Ângela, farei questão de dizer que não estou interessada em conhecer e que tenho de ir apanhar o autocarro. Prefiro mil vezes o nome da filha da Floribela (que nem sei escrever e também não sei se prefiro mas quero mostrar que não gosto nada do nome Ângela). Ângela. Ângela. E de anja(la) não tem nada.
Podia pedir umas cenas ao Pai Natal mas ele também está em crise. Eu, Cláudia Oliveira, respeito qualquer peluche que esteja em crise. O quê? O Pai Natal não é um peluche? Mau... Querem ver que ando a dormir com o Pai Natal e o namorado não me avisou? Mas sério? O Pai Natal existe e dá presentes ao pessoal? Sendo assim, aproveito para dizer que venha a prenda que vier que venha inteira. Ho ho ho...
Talvez os problemas que tu tenhas façam parte da tua vida. Sim, talvez a dor que sentes tenha a ver com as histórias que irás contar aos amigos na esplanada entre lágrimas. Ou então não. Tem, tem tudo a ver. Olha para ti sempre feliz e sossegada no sofá. Tão giro e quentinho e depois? O que fizeste tu para viver? Sim, talvez um dia tenhas saudades das dificuldades ou dos problemas.
Quando não há o 37, compra-se o 38. É assim o pensamento da mulher que tem medo de ficar descalça."Isto serve e se não servir, troca-se". Depois é só calçar mais um par de meias e tentar equilibrar o pé numa descida qualquer. Caso contrário, queda. Queda livre, com direito a rabo contra o chão frio do terceiro andar. Não preciso de explicar o resto, pois não?